
Tenho ouvido várias reclamações sobre a campanha COEXIST que o Bono tem feito, em prol de uma relação pacífica entre as três religiões (cristianismo, judaísmo e islamismo), em nome das quais as principais guerras estão sendo justificadas.
O que me entristesse, embora seja compreensível, é que, normalmente, esse posicionamento contrário à campanha seja tomado por grupos evangélicos, aqueles que deveriam entender mais profundamente os conceitos de amor e graça.
Abaixo, transcrevo um texto escrito pelo Steve Stockman, autor do livro Walk On, que foi postado no website do autor, em resposta a alguns desses emails que ele recebeu. Minha tradução é livre e o texto original pode ser lido aqui.
850 Words of Relevant - Uma resposta
Minha caixa de emails estava mais cheia essa manhã. Parece que um artigo na 850 Words of Relevant, uma newsletter cristã eletrônica, que escrevi sobre o U2 e o livro Walk On, torceu o nariz e levantou a sobrancelha de muitas pessoas fãs do U2...
Tara Leigh Coble escreveu:
"Após cinco músicas do repertório do show, Bono parou e colocou uma faixa na cabeça com algo escrito. Eu me espichei toda para ver o que estava escrito: COEXIST.
Coexistência é uma grande idéia. Eu apoio totalmente a filantropia pacífica que Bono tem encorajado e, aquilo pareceu uma outra forma dele divulgar a mensagem.
Até que começou a parecer mais uma mensagem política. O "c" na palavra COEXIST era a lua crescente do islamismo, o "X" a estrela de Davi e o "T" a cruz de Cristo. Bono apontou para os símbolos na sua faixa - primeiro para a cruz, depois para a estrela e, então para a lua crescente - e, começou a repetir: 'Jesus, Judeus, Maomé - todos verdadeiros. Jesus, Judeus, Maomé - todos verdadeiros'.
Ele repetiu aquelas palavras, como um mantra, e algumas pessoas começaram a repetir, junto com ele. De repente desejei sumir. Estaria Bono, supostamente meu irmão em Cristo, pregando algum tipo de universalismo (doutrina teologica que diz que todos serão salvos)? Em um estalar de dedos, me transformei de uma pessoa que concordava com ele sobre uma coexistência cristã para uma desesperada pelas coisas mentirosas e sem nenhuma relação com meu Deus, que ele dizia ali. O que estava acontecendo? E se ele acreditasse que todos os caminhos levam a Deus e que o cristianismo é apenas um caminho particular? Será que o universalismo e o verdadeiro cristianismo são mutuamente excludentes?
Sempre ouço comentários sobre as coisas que Bono afirma sobre sua fé, tenho lido livros, e olhado minuciosamente tudo que ele tem dito, tentando achar alguma coisa que torne a fé que ele possui algo claro. Por anos, tenho "adorado" ele e abraçado a idéia de que ele é um crente como eu. Afinal, ele se identifica com o cristianismo, não é? Quando ele declarou aquela mentira tão claramente, aquilo me devastou. Foi, sem dúvida alguma, a mais perturbadora experiência da minha vida, um banho de água fria. Eu olhava em minha volta e via as pessoas cantando em coro com ele - foi horrível e belo ao mesmo tempo. Unidade pode ser algo tão persuasivo. Aquilo me fez pensar num mundo com uma só religião e como isso pareceria benigno e belo se olhado de fora, também. Até comecei a imaginar se o universalismo poderia ser o veneno que nos levaria para aquela religião. Todas aquelas coisas estavam ecoando em minha mente”.
Imagino que, já que sou reconhecido como “um grande CDF sobre as coisas do U2”, que seja o primeiro a receber o ódio e o questionamento dessas pessoas. Mesmo assim, existe algo que me conecta mais intrinsecamente a esse tema; Relevant que me me mandou esse artigo é minha editora e está distribuindo exemplares do livro Walk On àqueles que reclamaram do artigo! Existem outros problemas levantados pelo artigo e pelo fato de que a Relevant o publicou. Eu tratarei com o lado da Relevant diretamente com a editora, então deixe me, simplesmente tratar de como isso afetou o entendimento sobre o U2 e o cristianismo.
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