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Arquivo de abril, 2006

A polêmica do COEXIST

17, abril, 2006

Tenho ouvido várias reclamações sobre a campanha COEXIST que o Bono tem feito, em prol de uma relação pacífica entre as três religiões (cristianismo, judaísmo e islamismo), em nome das quais as principais guerras estão sendo justificadas.

O que me entristesse, embora seja compreensível, é que, normalmente, esse posicionamento contrário à campanha seja tomado por grupos evangélicos, aqueles que deveriam entender mais profundamente os conceitos de amor e graça.

Abaixo, transcrevo um texto escrito pelo Steve Stockman, autor do livro Walk On, que foi postado no website do autor, em resposta a alguns desses emails que ele recebeu. Minha tradução é livre e o texto original pode ser lido aqui.

850 Words of Relevant – Uma resposta
Minha caixa de emails estava mais cheia essa manhã. Parece que um artigo na 850 Words of Relevant, uma newsletter cristã eletrônica, que escrevi sobre o U2 e o livro Walk On, torceu o nariz e levantou a sobrancelha de muitas pessoas fãs do U2…
Tara Leigh Coble escreveu:
“Após cinco músicas do repertório do show, Bono parou e colocou uma faixa na cabeça com algo escrito. Eu me espichei toda para ver o que estava escrito: COEXIST.
Coexistência é uma grande idéia. Eu apoio totalmente a filantropia pacífica que Bono tem encorajado e, aquilo pareceu uma outra forma dele divulgar a mensagem.
Até que começou a parecer mais uma mensagem política. O “c” na palavra COEXIST era a lua crescente do islamismo, o “X” a estrela de Davi e o “T” a cruz de Cristo. Bono apontou para os símbolos na sua faixa – primeiro para a cruz, depois para a estrela e, então para a lua crescente – e, começou a repetir: ‘Jesus, Judeus, Maomé – todos verdadeiros. Jesus, Judeus, Maomé – todos verdadeiros’.
Ele repetiu aquelas palavras, como um mantra, e algumas pessoas começaram a repetir, junto com ele. De repente desejei sumir. Estaria Bono, supostamente meu irmão em Cristo, pregando algum tipo de universalismo (doutrina teologica que diz que todos serão salvos)? Em um estalar de dedos, me transformei de uma pessoa que concordava com ele sobre uma coexistência cristã para uma desesperada pelas coisas mentirosas e sem nenhuma relação com meu Deus, que ele dizia ali. O que estava acontecendo? E se ele acreditasse que todos os caminhos levam a Deus e que o cristianismo é apenas um caminho particular? Será que o universalismo e o verdadeiro cristianismo são mutuamente excludentes?
Sempre ouço comentários sobre as coisas que Bono afirma sobre sua fé, tenho lido livros, e olhado minuciosamente tudo que ele tem dito, tentando achar alguma coisa que torne a fé que ele possui algo claro. Por anos, tenho “adorado” ele e abraçado a idéia de que ele é um crente como eu. Afinal, ele se identifica com o cristianismo, não é? Quando ele declarou aquela mentira tão claramente, aquilo me devastou. Foi, sem dúvida alguma, a mais perturbadora experiência da minha vida, um banho de água fria. Eu olhava em minha volta e via as pessoas cantando em coro com ele – foi horrível e belo ao mesmo tempo. Unidade pode ser algo tão persuasivo. Aquilo me fez pensar num mundo com uma só religião e como isso pareceria benigno e belo se olhado de fora, também. Até comecei a imaginar se o universalismo poderia ser o veneno que nos levaria para aquela religião. Todas aquelas coisas estavam ecoando em minha mente”.

Imagino que, já que sou reconhecido como “um grande CDF sobre as coisas do U2”, que seja o primeiro a receber o ódio e o questionamento dessas pessoas. Mesmo assim, existe algo que me conecta mais intrinsecamente a esse tema; Relevant que me me mandou esse artigo é minha editora e está distribuindo exemplares do livro Walk On àqueles que reclamaram do artigo! Existem outros problemas levantados pelo artigo e pelo fato de que a Relevant o publicou. Eu tratarei com o lado da Relevant diretamente com a editora, então deixe me, simplesmente tratar de como isso afetou o entendimento sobre o U2 e o cristianismo.

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Walk On é resenhado no O Globo

16, abril, 2006

Parece que o jornalista Rafael Rodrigues gostou mesmo do livro Walk On – A jornada espiritual do U2. Depois de citar o lançamento, ocorrido no início de fevereiro, ele acaba de postar uma resenha no mesmo blog do jornal O Globo: Paralelos – Literatura, Tendências e outros subtítulos.
Abaixo a transcrição da ótima resenha sobre o Walk On:
A banda de rock irlandesa U2 não se envolveu em questões políticas e religiosas “de uns tempos pra cá”. Bono Vox, vocalista do U2, não é um oportunista em busca de um Prêmio Nobel da Paz. Se você pensa dessa maneira ou ouviu alguém dizer isso, seus problemas acabaram.
Walk On – A jornada espiritual do U2” (W4 Editora, 188 págs.) esclarece essas e outras questões. Escrito por Steve Stockman, ministro presbiteriano na Irlanda, o livro traça um paralelo entre a carreira do U2 e a relação de seus integrantes com religião e política.
Nascido em Dublin, na Irlanda, no final dos anos 70, o U2 tem, desde seu primeiro disco (“Boy”), escrito letras inspiradas na fé de seus integrantes (o cristianismo), nos acontecimentos que presenciaram na Irlanda e, posteriormente, no mundo.
(“Boy”, aliás, foi gravado numa época em que os membros da banda – exceto Adam Clayton, baixista – faziam parte de um grupo de estudos bíblicos).
A religião quase foi responsável pelo fim do U2. “Enquanto a banda estava fazendo uma turnê, entre ‘Boy’ e a gravação de ‘October’ – segundo álbum do da banda –, um membro da comunidade da região norte de Dublin dizia ter recebido uma profecia de que Deus queria que a banda parasse de tocar.”
O U2 não parou, e aquele foi um momento decisivo para o grupo. E então eles sentiram na pele que, se seguida a ferro e fogo, a crença religiosa pode ser um grande problema. De certa forma, os integrantes do U2 romperam com uma religião específica em “October”, mas não romperam com a fé que os moviam – e os move até hoje. É nesse álbum que Bono canta “Somente em você eu me completo”, dirigindo-se a Deus.
“War”, terceiro disco da banda, é o mais rebelde dos álbuns do U2. Em 1983, Bono declarou “Eu penso que, no final das contas, o grupo é totalmente rebelde por causa de nossa postura contra aquilo que as pessoas entendem ser rebeldia. Aquela coisa toda de estrelas do rock jogando seus carros dentro da piscina – isso não é rebeldia… Rebeldia começa em casa, em seu coração, em sua recusa de comprometer suas crenças e seus valores…”. É em “War” que está “Sunday Bloody Sunday”, música inspirada em duas datas terríveis para a memória dos irlandeses, e uma das mais famosas músicas do U2.
Tudo isso é explicado por Steve Stockman. Citando versos de canções e declarações dos integrantes da banda, além de, é claro, muita pesquisa.
Mas não se trata apenas de um livro sobre o U2. Ele não se resume a isso. “Walk On – A jornada espiritual do U2” é quase que um livro de História contemporânea, tamanhas são as referências que o autor faz a fatos históricos do século XX e início do século XXI.
Mais que uma análise das mensagens religiosas e políticas por trás dos álbuns do U2, o livro força o leitor questionar a religião em sua essência e a sua própria postura religiosa. O que o torna uma obra universal, pois apesar de estar ligada às canções da banda irlandesa, ela faz reflexões acerca da influência que a religião exerce sobre as pessoas em todo o mundo, e NO mundo.
De brinde, ainda conta detalhes da carreira dos quatro rapazes de Dublin.
Livro fundamental para os fãs da banda, altamente indicado para quem gosta de literatura e, de quebra, uma boa base para aqueles que questionam o posicionamento cristão.

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O evangelho de acordo com Bono e o U2

5, abril, 2006

O texto a seguir é uma tradução livre que fiz de uma matéria publicada, no dia 3 de abril, no jornal The Scotsman da Escócia, escrita pelo jornalista Stephen McGinty.
Bono declarou que não é um homem de batina, “a não ser que a batina seja de couro”. Mas as palavras do líder carismático do U2 estão, ultimamente soando nos púlpitos nos Estados Unidos.
As músicas e letras da banda de rock irlandesa estão sendo utilizadas pela Igreja Episcopal na chamada “U2 Eucaristia” como uma forma de atrair os jovens ligados ao ativismo social da banda. Tentativas anteriores da igreja em se conectar à cultura jovem envolveram pregadores em sandálias de dedo, tocando violão e cantando músicas de acampamento, para o embaraço de todos. Ainda assim, em igrejas da California ao Maine, líderes de louvor estão se amontoando para ouvir classicos como Beautiful Day, Pride e Peace on Earth tocados em meio a uma reunião de oração.
Mesmo assim, protetores de ouvidos são distribuidos entre bíblias e hinários para aqueles que ainda preferem músicas de órgão. A U2 Eucaristia foi criado pela reverenda Paige Blair, uma pregadora em york Harbor, Maine e foi divulgada através do boca-a-boca e sites da igreja.

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