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Eleições 2006 - Decálogo do Voto Ético

No próximo domingo, acontecerá o primeiro turno das eleições. Como cristãos temos a responsabilidade de lutar por uma sociedade mais justa e igualitária e o nosso voto é uma das ferramentas mais eficientes que temos em nossas mãos, para mudar a situação da política atual.
Já tenho o nome dos candidatos em quem irei votar e, uma das coisas mais importantes avaliadas foi a preocupação do candidato no coletivo e não em privilégios pessoais. A sua história, sua experiência no legislativo, a ausência do seu nome em escândalos... Todas variáveis importantes na minha equação de escolha. O candidato é evangélico? Bom, só isso não bastou... Se ele tem o perfil acima e, além disso é evangélico, ai sim ele teve chance de conquistar meu voto...
Prá ajudar um pouco nosso povo, transcrevo o Decálogo do Voto Ético, redigido pela AEvB (Associação Evangélica Brasileira), em 1998, mas que ainda hoje é atual. Leia, reflita e vote! Ah... Mais uma coisa, votar nulo é abrir mão da sua cidadania... Depois, não venha reclamar dos eleitos, já que você desistiu de contribuir pela democracia.

Decálogo do Voto Ético

I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;

II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade numa outra direção;

III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, devem evitar transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;

IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é orientar os cristãos a conhecerem bem a história, e principalmente a proposta de governo dos candidatos através de debates multi-partidários e outros meios que possibilitem que todos sejam ouvidos sem preconceitos.

V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil deve levar os pastores a não tentar conduzir processos político-partidários dentro da igreja, sob pena de que, em assim fazendo, eles dividam a comunidade em diversos partidos;

VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidas com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão política. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político evangélico tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas.

VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um político evangélico votou de determinada maneira, apenas porque obteve a promessa de que, em fazendo assim, ele conseguirá alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência de um cristão, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Afinal, Jesus não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios. Ele preferiu o caminho da cruz;

VIII. Os eleitores evangélicos devem votar em seus candidatos, sobretudo, baseados em programas de governo, e não apenas em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos;

IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é de bom alvitre que, ainda assim, se dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. A fé deve ser prioritária às simpatias ideológico-partidárias.

X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ele ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina."

Comentários

Oi, Jorge.
Valeu!
Abração

ótima mensagem!
abraços a todos

Oi, Carolina.
Primeiro, deixa eu esclarecer uma coisa: infelizmente (ou felizmente... rs), voto nulo NÃO anula eleição. O que acontece é uma confusão já que a lei fala em nova eleição quando “a nulidade atingir a mais da metade dos votos no país”. Ocorre que essa “nulidade” se refere aos votos anulados por fraude, entre outras razões, e não aos votos nulos dados pelo eleitor. Você pode conferir essa informação, dada pelo próprio presidente do TSE no Blog do Fernando Rodrigues (http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2006-09-03_2006-09-09.html)
Acredito que votar nulo é prejudicial, pois os votos brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos, ou seja vão ajudar os candidatos que estão na frente.
Outra coisa é tentar imaginar qual a possibilidade de que, como diz a lenda, metade mais um dos eleitores votassem nulo, num universo de mais de 120 milhões de pessoas...
De qualquer forma, acho que o correto é escolhermos um dentre os candidatos e cobrá-lo caso seja eleito. Assim estaremos exercendo melhor nossa cidadania.
Espero ter te ajudado.
Grande abraço.

Amei saber deste decálogo. Creio que é uma enorme contribuição à refexão dos cristãos. Nós não estamos aqui para nos calar, mas para falar (no momento certo), ser sal e luz... enfim...

Mas gostaria de provocar uma discussão... a respeito do voto nulo não constituir um exercício de cidadania. Bem, imaginem que estejam lá candidatos à presidência, nenhum deles agradáveis ao seu gosto. E você é obrigado a votar. Como cristão, eu não espero que fuja do seu compromisso inventando uma viagem de última hora. Mas você quer manifestar o seu gosto, e o seu gosto é que não gosta de nenhum deles. Que quer outro. Como fazer?! A nossa República dá uma soução para isso, pelo o que entendi. O voto nulo serve para que o cidadão possa manifestar sua opinião de que nenhum daqueles candidatos é digno do cargo a que concorrem. Isso pode ser muito útil especialmente em frente de uma falcatrua política que tenha impedido a candidatura de alguém, por exemplo... Se o voto nulo ganhar, por lei deve haver nova eleição, com outro candidatos, todos diferentes. Porque a vitória do voto nulo é a voz da maioria da população dizendo que não quer nenhum daqueles candidatos. Bem, eu acho que o voto nulo pode ser sim bem político. E um exercício de cicadania. O voto brancom, pelo o que entendi, é um recurso para os que não querem manifestar sua opinião. Já que votar é obrigatório, o cidadão pode usar seu voto para dizer que não quer dizer nada. Bem, eu acho este um recurso bem cristão, pelo lado em que não força ninguém a escolher, embora tenha "forçado" a votar. Porque alguém iria querer não se manifestar sobre um assunto, bem... aí eu já não sei... Eu considero o voto branco apolítico, mas o nulo, não. Porque ele diz alguma coisa.

Honestamente, já consderei seriamente votar nulo neste domingo, mas então achei que era muito radical dizer que nenhum daqueles candidatos eram capazes. Desta vez.

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