Superman - O retorno

Semana passada fui assistir ao filme Supeman - O retorno. O filme é legal, ainda mais depois que trouxe à minha memória, o dia em que assisti o primeiro Superman (1978), no Cine Lumiere, na r. Joaquim Floriano, lá no Itaim Bibi, aqui em São Paulo. Lembrei que, naquele dia, o cinema estava LOTADO (será que era a estréia?) e que tive que ficar nos ombros do meu pai (que naquela época era o verdadeiro Superman) prá não ser engolido por aquele mar de gente...
Voltando ao Superman - O Retorno, não pude deixar de assistir o filme com outra ótica, após ter lido o texto que traduzi (tradução livre, ok?) abaixo e que concordei ainda mais, depois da sessão. Ah... O texto foi me indicado pelo grande Simas. Valeu, Simas!
A segunda vinda do Superman: Finalmente, um filme “cristão” sem o marketing igrejeiro.
Obrigado, Hollywood. Obrigado, Warner Brothers. Obrigado, diretor Brian Singer. Obrigado por ter deixado, tanto a mim quanto a igreja, em paz!
Na próxima semana o tão divulgado filme “Superman - o Retorno” será lançado nos cinemas. Críticas antecipadas são incrivelmente favoráveis, sendo que algumas predizem que a volta do super-herói original às telas irá quebrar vários records. Mas na web também se comenta sobre a aparente discussão de temas cristãos no filme. Isto me fez pensar – por que eu não recebi material de propaganda na minha igreja? Cadê os posters, brinquedinhos para o ministério de crianças, ou dicas para incluir os “super-sermões”? Por que o messias americano das histórias em quadrinhos não teve seu “marketing igrejeiro”?
Na página de entretenimentos da CNN existe um artigo chamado Jesus Cristo Superman que discute as credenciais cristãs do filme. Taxado como a seqüência do original dirigido por Richard Donner, em 1978, Superman – o Retorno tem um Marlon Brando ressurreto digitalmente, na pele do pai do superman, que está no céu e que envia seu único filho para a terra como uma “luz para mostrar o caminho...”.
No novo filme, dirigido por Brian Singer, Superman volta a Metrópolis depois de um sumiço de cinco anos, no momento exato para resgatar a humanidade de uma destruição cataclísmica – a narrativa que pode ser vista como um simbolismo para a morte e ressurreição ou para a 2ª vinda de Cristo. Em uma das cenas, o homem de aço é perfurado por uma lança de kriptonita da mesma forma que Cristo foi perfurado pela lança romana. E outra cena mostra Superman com os braços abertos, reminiscência da crucificação de Jesus.
Achar nuances messiânicos na mitologia do Superman não é novidade. Como o artigo da CNN aponta:
A comparação [do Sperman] com Jesus é feita desde a sua criação, em 1938, diz Skelton, autor de “O evangelho segundo como os maiores heróis mundiais”. Muitos, simplesmente vêem a história de um herói enviado a terra pelo seu pai, para servir a humanidade claramente com nuances do Novo Testamento. Outros levam a comparação mais adiante, lendo o “El” no nome original do Superman, “Wal-EL” e de seu pai “Jor-EL” como a palavra hebraica para Deus, entre outras interpretações teológicas.
O artigo da Time, “The Gospel of Superman”, escrito por Richard Corliss, diz que o novo filme de Brian Singer enfatiza as similaridades do personagem com Jesus, mais do que as encarnações anteriores:
Versões anteriores de Superman enfatizam a humanidade do herói: seu apego aos pais terrenos, sua desajeitada relação, de garoto do interior, com Lois. A versão de Singer enfatiza sua divindade. Ele não é um super homem, ele é deus (Kal-El), enviado por seu pai do céu (JorÉl) para proteger a terra. Esta é uma missão que exige mais do que músculos, ela demanda sacrifício, talvez da sua própria vida. Então ele não é simplesmente algo das histórias em quadrinho. Ele é o salvador da terra: Super-homem Jesus Cristo.
Nós não podemos deixar de examinar o alter ego do Superman, Clark Kent. Criado numa cidade conservadora do meio-oeste com valores familiares como verdade, justiça e o American way – poderíamos até imaginar Clark indo a uma igreja qualquer após deixar a sala de notícias do Daily Planet.
Com tantos valores bíblicos e conservadores para explorar, por que os produtores de “Superman – o retorno” não divulgaram o filme mais diretamente aos evangélicos? Nos últimos dois anos, Hollywood entusiasticamente usou a igreja para divulgar seus filmes para a família e com significados bíblicos. “A paixão de Cristo” e “O Leão, o Guarda-Roupa e a Feiticeira” são os exemplos mais óbvios. No último dezembro, minha caixa de correio foi bombardeada com propaganda com a marca Narnia, promoções pastorais e idéias de sermões sobre o tema.
Tudo bem, Nárnia foi escrita por C.S.Lewis intencionalmente com símbolos cristãos. Mas mesmo outros filmes não tão claramente cristãos também foram divulgados para os pastores e líderes de igrejas como “Cinderella Man” e o herético “O Código Da Vinci”. (Neste outono, eu não pude ler nenhum jornal ou website cristão sem que a Mona Lisa ou o próprio Leonardo ficassem me vigiando).
Tendo sofrido muito financeiramente, em anos recentes, Hollywood parece desejar ardentemente ganhar o mercado evangélico através de filmes familiares e, muitas vezes, com ilustrações bíblicas. Isto parece um trabalho para o Superman! Mas, estranhamente, Warner Brothers escolheu ignorar as igrejas e os pastores em sua campanha de marketing para o “Superman – O retorno”. E, por isso, eu digo para Warner Brothers, Brian Singer e todos os responsáveis pela criação e distribuição do filme, OBRIGADO!
Obrigado, por não usar a Igreja como um caça- níquel.
Obrigado, por não seqüestrar a missão da minha igreja de fazer discípulos e transformá-los em consumidores.
Obrigado, por não trocar artes, símbolos e ícones cristãos por posters e propagandas do filme.
Obrigado, por não tentar interferir com o ministério da pregação da Palavra de Deus, o não oferecer prêmios aos pastores por mencionar o filme em seus sermões.
Obrigado, por não encher nossos ministérios de criança com brinquedos Supermans e pulseiras de kriptonita.
Obrigado, por não me dizer que “Superman – o Retorno” é uma maior oportunidade de evangelismo da galáxia.
Obrigado, por não me pedir que alugasse um cinema inteiro para que nossos membros convidassem não-cristãos para ver o filme.
Obrigado, pelo respeito à integridade da minha fé.
E, obrigado, por me deixar desfrutar “Superman – O Retorno” simplesmente pelo que ele é – uma noite agradável numa sala de cinema.
Comentários
Oi, Eduardo.
Com certeza, não devemos esquecer do nosso real propósito, aliás acho que esse é um ponto interessante: o equívoco de dividir a nossa vida em duas partes, uma espiritual e outra não-espiritual leva-nos a imaginar que temos de nos preocupar com nossas motivações ao agir na 'área não-espiritual'... Na verdade, tudo tem de ser natural, afinal a vida é uma só.
Quanto ao Superman, o que você disse está correto, só um detalhe, prá mim, o ano da criação é 33 e não 38, quando os dois publicaram a história "O Reino do Super-homem". Embora o personagem dessa história não seja o Clark, já que os seus poderes eram utilizados para o mal, temos que concordar que foi lá a gênese do mais famos super-herói.
Abração.
Postado por: Whaner | outubro 5, 2006 05:59 PM
Muito bom o artigo. Concordo com o Whaner, o Evangelho pode deixar algumas gotas de sua essência na cultura e nas artes (pode e deve), mas não devemos nos esquecer da fonte que gerou essas gotas e do nosso real propósito.
Sobre o Superman, faltou apenas comentar que o personagem foi criado por dois Judeus erradicados nos EUA, em 1938 (Jerry Siegel e Joe Shuster). Ele claramente representa o messias que os israelitas ainda esperam (pois não aceitaram Jesus). Hitler e a Segunda Guerra certamente inspiraram a imaginação de ambos, que desejavam a presença do Messias para libertar o povo judeu dos campos de concentração.
Postado por: Eduardo | outubro 4, 2006 06:20 PM
Oi, Jorge.
Que legal... Continue visitando o Blog que sempre teremos matérias sobre a relação Espiritualidade X Artes X Cultura.
Abração.
Postado por: Whaner | agosto 11, 2006 08:22 PM
Olá Whaner!
Adorei a matéira sobre Superman.
Abraço
Postado por: Jorge Filipe | agosto 11, 2006 06:58 PM
Oi, Marcelo.
Se fossemos relevantes culturalmente, principalmente deixando de lado a falsa dicotomia entre mundo secular X mundo evangélico, acho que resolveríamos boa parte do problemos dos cambistas dentro do templo...
Abração.
Postado por: Whaner | agosto 5, 2006 12:02 PM
Concordo em grau, gênero e número, como foi dito existem sim filmes, diga-se livros com mensagens além da mensagem como Nárnia, mas tá na hora de acabar como esse modismo de que tudo quanto é filme é evangelístico, ou traz uma mensagem cristã. Chega de marketing, chega de cambistas dentro do templo. Tá na hora da igreja começar a fazer o que sempre teve que fazer; anunciar, e anunciar com atitudes e com a boca se preciso for o evangelho nos 4 cantos da terra.
Postado por: Marcelo | agosto 4, 2006 08:36 PM