Crescimento de igreja evangélica ajuda setor editorial, diz Giannetti
Fonte: Gazeta Mercantil - 18 de agosto de 2006
De acordo com uma recente pesquisa internacional sobre hábitos de leitura envolvendo 30 países, o Brasil está em 27 lugar, com um total de 5,2 horas de leitura semanal. Esta foi uma das colocações que o economista Eduardo Giannetti fez durante palestra realizada ontem, no primeiro dia do 34 Encontro Nacional de Editores e Livreiros, que está sendo realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em Fortaleza, após apresentar uma panorama geral da economia hoje.
Segundo Giannetti, são dois os principais fatores que dificultam o crescimento do mercado editorial brasileiro. "O primeiro é a pequena tiragem, que encarece edição; o segundo é o fato de a nossa cultura ser tremendamente audiovisual. A internet e a TV reduzem o interesse pelo livro. A tecnologia suga o tempo da juventude, que passa horas diante do computador."
O economista tem dados preocupantes sobre a leitura no País. "25% dos brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos e mais de 90% dos alunos do ensino fundamental não sabem ler. Apenas um em cada três brasileiros lê, alcançando a média de 1,8 livro acadêmico por ano".
Mas Giannetti também vê alguns progressos no setor, entre eles, o crescimento das igrejas evangélicas, que reforçam o hábito da leitura entre seus fiéis. "Outro ponto positivo é que nos últimos 15 anos, o Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental. Em 1991, 80,5% das crianças entre 7 e 14 anos estavam matriculadas na escola. Em 2000, esse índice subiu para 97%."
Entre os desafios para a ampliação do mercado editorial, o economista cita o preço do livro, ainda distante do bolso da maioria dos brasileiros. Segundo ele, uma alternativa são os pocket book (livro de bolso), de custo mais barato. "Outro ponto que precisa mudar é o da qualificação do atendimento nas livrarias, que deixa muito a desejar. Os vendedores não conhecem o produto que vendem", diz Giannetti
"Quem não planeja, planeja fracassar", assim o diretor do Centro de Publicações da Universidade de Nova York, Robert Baensch, também presente ao encontro, definiu a necessidade de se avaliar o mercado de atuação, uma vez que a sociedade e o consumidor mudam com muita rapidez. "Em 1975, eram oito as opções de informação. Hoje esse número subiu para 21. Os jornais, revistas e livros estão perdendo espaço, mas as pessoas não deixarão de ler. Em 1977, a mídia impressa nos Estados Unidos respondia por 15,1% das opções de informação, no ano passado esse número baixou para 11,9%. O maior segmento de leitores é formado pelas mulheres, que lêem mais livros, enquanto os homens preferem os jornais", afirma Baensch.
O 34 Encontro Nacional de Editores e Livreiros, que termina sábado, reúne profissionais do setor de todo o Brasil para a discussão das tendências, perspectivas e desafios para os próximos anos. Segundo o vice-presidente da CBL, Bernardo Gurbanov, são comercializados, em média, 320 milhões de exemplares por ano, em um universo de 26 milhões de leitores ativos (aqueles que lêem um livro a cada três meses), de acordo com a primeira pesquisa de mercado "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro" realizada em 2001.
"O Brasil tem o maior número de leitores da América Latina. Os 26 milhões da pesquisa representam juntos os leitores do México, Colômbia e Argentina", informa Gurbanov. A Câmara ainda não fechou oficialmente o balanço do setor em 2005, mas Gurbanov estima um faturamento de R$ 2,5 bilhões. "Esse valor é muito baixo quando comparamos com o faturamento obtido pelo setor nos Estados Unidos, que chega à casa dos US$ 20 bilhões", conclui o vice-presidente da CBL.
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