O papel do tradutor
A matéria de capa da Revista da Folha de hoje traz uma matéria interessantíssima sobre os tradutores de vários best-sellers: Eric Nepomucemo (Memória de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márques), Maria Helena Rouanet (O Caçador de Pipas - Khaled Housseini), Regina Lyra (Freakonomics - Steven D. Levitt e Stephen J. Dobner) e Lya Wyler (Harry Potter - J.K Rowling).
Um fato que me chamou a atenção é que todos os tradutores mantiveram contato com os autores e/ou editores da obra original. Sei que isso não é corrente no meio editorial e, com certeza, é uma das razões das traduções tão pobres que vemos por aí. Claro que, ao traduzir um clássico, esse contato tradutor versus autor é impossível, mas aí vem a necessidade de se conhecer a cultura da época, a sintaxe corrente... sem falar, é claro, da importância do tradutor conhecer o autor, outras de suas obras e o tema a ser traduzido.
Achei interessante, também, quando Maria Helena afirmou que "o tradutor é um autor que fica dispensado do trabalho de criar os personagens, o enredo. Mas é um autor". Pior que é verdade. Temos de assumir que o processo de tradução é quase tão relevante quanto a gênese da criação, ainda mais ao percebermos que no catálogo das editoras, especialmente no segmento cristão, os livros traduzidos são a grande maioria e a leitura do livro no original é algo para uma minoria no nosso país, conforme constatou Regina, na matéria.
A W4 Editora, a partir da tradução do livro Walk On - A jornada espiritual do U2 (Steve Stockman) passou a tratar o tradutor como um agente criativo importante no processo de produção e para o sucesso de uma obra. Sendo assim, decidiu que a remuneração do tradutor não seria mais aquela de praxe no mercado, ou seja, somente por lauda traduzida. Jorge Camargo, tradutor do livro Walk On, já se beneficiou dessa nova política e irá receber por cada livro comercializado.
É uma gota no oceano, mas esperamos, mesmo que singelamente, ajudar o mercado a dar mais um passo adiante.