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Coluna Olho Vivo - Revista Igreja - Edição 2

Almanaque da Igreja do séc. XXI

Se eu perguntasse a você quem ou o quê mais influenciou seu ministério ou seu estilo de liderança, você seria capaz de responder em menos de 30 segundos?
E, se a pergunta fosse a quem ou como seu ministério tem influenciado as pessoas? A resposta seria mais fácil ou mais difícil?
Há algumas semanas li dois livros, que embora pareça não haver nada em comum entre eles, me fizeram pensar sobre isso: Almanaque dos anos 80 de Luiz André Alzer & Mariana Claudino, publicado pela Ediouro e Muito mais que palavras de Philip Yancey & James Calvin Schaap, publicado pela Editora Vida.

O primeiro serviu como uma grande viagem à minha infância e adolescência e mostrou como pequenas coisas ajudaram a moldar aquilo que sou hoje. Vi algumas figurinhas do Futebol Cards Ping Pong que colecionei e serviram como gênese ao meu ‘fanatismo são-paulino’; a Série Vaga-lume de livros, lançados pela Ática que me apresentou ao personagem Xisto e a livros como O escaravelho do Diabo, Spharion, Enigma da televisão, dentre tantos outros, que mesmo sendo leitura obrigatória, ajudaram a minha jornada, como leitor. Telejogo, Genius, Falcon, Vai-e-Vem eram jogos que disputavam minhas horas de lazer com o futebol de rua e os tombos nas corridas de bicicleta lá no Itaim Bibi e me ajudaram a desenvolver o sentimento de amizade e coletividade. Pequenas coisas e grande influência...
Já Muito mais que Palavras comprovou como vidas vividas com intensidade, produzindo obras relevantes servem como padrão para várias gerações. O apóstolo Paulo nos exorta a sermos padrão para os demais (I Timóteo 4.12). Será que temos conseguido?
A Bíblia fala que temos que trazer à memória aquilo que pode nos dar esperança (Lamentações 3.21), mas tenho me perguntado, ao assistir programas na televisão ou ouvir alguns CDs e rádios evangélicas, ou mesmo ao folhear alguns livros por nós publicados que, em vez de manter essas coisas em nossa memória, deveríamos mesmo é “deletar esses arquivos”.
Eugene Peterson conta, em Muito mais que Palavras, como Fiodor Dostoievsky mostrou a ele a saída num momento de grande crise (pois é, Peterson também passou por crises. Por que muitos não aceitam que isso é natural ao ser humano e não significa nenhuma fraqueza?), motivada pela dúvida: ‘Como posso fazer diferença?’ Em outras palavras, Peterson estava perguntando como ele poderia influenciar as pessoas.
Em outro trecho ele faz a pergunta que os líderes de hoje deveriam fazer: “o que significa representar o Reino de Deus numa cultura devotada ao reino do eu?”
É claro que não temos que ir até a Rússia ou ao séc XIX pra termos um exemplo de alguém relevante a ser lembrado. Aqui, em terra brasílis temos nossos heróis. Vou citar apenas um, que já influencia gerações de pessoas, principalmente às ligadas à música: Nelson Bomilcar acaba de lançar, após 30 anos de estrada, o seu primeiro CD solo: Caminhos do Coração, pelo selo VPC. Questionado por que tanto tempo para o CD solo, ele respondeu: “Porque nunca foi pressão para mim não ter trabalho solo. Sou da geração que pensava na música como oportunidade de servir e abençoar pessoas”.
Servir e abençoar pessoas. Talvez esse seja a motivação que devemos seguir para que nosso ministério seja uma boa influência para a Igreja e para que, quem sabe, num futuro “Almanaque da Igreja do séc. XXI” possamos ser citado como alguém que fez diferença em nosso tempo.
Grande abraço!

Whaner Endo

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