9ª Assembléia Geral do CMI - Boletim 2
Bem-vindos à Porto Alegre! - por Ana Claudia Braun Endo
Milhares de cristãos de todo o mundo encontram-se em Porto Alegre para a abertura da 9a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, com a expectativa de que este seja o maior movimento ecumênico do início do século 21.
O convite para a Assembléia partiu das igrejas-membro do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). As palavras de acolhida serão dadas pelo revmo. bispo metodista Adriel de Souza Maia, presidente do Conic, a partir desta terça-feira.
Também se inicia nesta terça o Mutirão, evento paralelo que reunirá diversas oficinas, incluindo estudos bíblicos, eventos e apresentações culturais.
Reunião fortalece voz de mulheres na Assembléia por Zenaide Barbosa
Cerca de 350 mulheres de todas as partes do mundo reuniram-se no Salão de Atos da PUC/RS,com o objetivo de preparar-se para a 9a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). As expectativas e experiências colhidas nos três dias de reunião serão levadas à Assembléia, como contribuição para a discussão de políticas para o bem-estar das mulheres.
A coordenadora do Programa de Mulheres e da equipe de Justiça e Paz e Integridade da Criação do CMI, Aruna Gnanadason (Índia), acredita na contribuição da pré-Assembléia, já que através dela as mulheres chegarão melhor preparadas para se fazerem ouvir nas reuniões oficiais.
Christina Winnischofer, secretária-geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, acredita que, apesar de estarem em menor número na Assembléia, as reuniões preparatórias são uma oportunidade para que a questão feminina chegue de forma mais clara e precisa à Assembléia. Christina ressalta que a reunião dá às mulheres condições de criar vínculos entre si, ao partilhar seus problemas e esperanças.
A representante do Comitê de Evangelismo da Catedral Nacional, Perfecta Stokes, das Filipinas, pensa que o destaque à participação feminina na Asembléia garante à mulher o direito a uma participação plena, o que vai se refletir também nas suas chances de liderança.
O segundo dia da reunião das mulheres teve estudos bíblicos, momentos específicos de preparação, exibição do filme ‘Contando nossas histórias”, sobre a visão ecumênica de cinco mulheres de diferentes partes do mundo e o lançamento do livro “A Graça do Mundo Transforma Deus”, uma paródia ao tema da Assembléia (Deus, em Tua Graça, Transforma o Mundo), escrito em Português e Inglês, com o qual os editores, Nancy Cardoso, Edla Eggert e André Musskopf, falam da necessidade de transformar um Deus que justifica a injustiça social, violência entre irmãos/irmãs e fome, entre outras coisas.
Mulheres de diferentes países da Europa, Estados Unidos, Canadá, Índia, Grécia, diversos países da África, Japão, China, Filipinas, muitas com seus belíssimos e coloridos trajes típicos e seus penteados elegantes, formavam um espetáculo à parte e provocavam enternecimento pela convicção de que, na sua grande diversidade, são todas irmãs. A maioria usava ramos de flores na cabeça. As flores foram ofertadas pelas mulheres gaúchas, num gesto de saudação e acolhimento, que ao mesmo tempo lembra a cultura local: mulheres aqui usam flores nos cabelos para as danças típicas do Rio Grande.
Índios querem respeito às suas próprias religiões por Zenaide Barbosa
Ao falar, domingo, na reunião com representantes de povos indígenas, o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), rev. Samuel Kobia, do Quênia, disse que é preciso, a todo custo, impedir a privatização da água, que impossibilita o acesso dos pobres ao líquido que é dádiva de Deus e um direito de todas as pessoas. Ele lembrou que os governos têm obrigação de promover uma distribuição justa da água. Falou também sobre a água como fonte de conflitos e informou que alguns países, como Quênia e Uganda, na África, já estão estudando como evitar esses conflitos.
Havia dois pontos em comum entre os que participaram da reunião: em primeiro lugar, eles demonstraram estar calejados e incrédulos ante as promessas de ajuda recebidas de várias instituições e que não passam de belos discursos; em segundo lugar, querem ver respeitadas as particularidades de suas culturas e de suas religiões. O rev. Samuel Kobia garantiu que essas são recomendações do CMI a todas as igrejas-membros e que ele, pessoalmente, havia pedido que fossem incluídos pelo menos 15 % de indígenas nas diversas delegações.
O pastor metodista Adahyr Cruz, de Vitória do Espírito Santo, foi quem fez a saudação inicial ao secretário-geral, na qual destacou que o CMI pode fazer muito pelos índios no mundo todo, por este ser um importante fórum de reivindicações sociais e políticas para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. Inclusive para o reconhecimento de suas religiões.
O pastor Cruz é um dos fundadores do Comissão Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), no Espírito Santo, e trabalha há dez anos com os índios guaranis e tupiniquins, que tiveram 11.800 hectares de suas terras ocupados pela Aracruz Celulose e reivindicam a retomada da região, localizada à volta de seis reservas indígenas.
A graça de Deus como transformação para a inclusão por José Aurélio Paz
A globalização econômica incapacita ainda mais o ser humano. Esta foi uma das idéias que chegou ao grupo por meio da Red Ecuménica de Defensa de las Personas Discapacitadas (EDAN, segundo sua sigla em inglês), reunida na Pré-Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).
A conferência foi ministrada pelo dr. Rogate R. Mshan, executivo da Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação do CMI, que destacou as preocupações trazidas pelas pessoas portadoras de deficiência, que participam do evento como delegadas e convidadas.
Dentre os questionamentos feitos, apenas a certeza de que não se pode iniciar este diálogo sem que haja uma real participação dessas pessoas na tomada de decisões, em qualquer nível.
La Red Ecuménica de Defensa de las Personas Discapacitadas (EDAN), se prepara para fazer forte presença na Assembléia, buscando criar pautas para uma verdadeira atitude de inclusão da igreja do mundo que, como política do CMI, condene a violência, a discriminação de mulheres, a discriminação de raças e das pessoas com capacidades diferentes, como fundamentos para compartilhar a verdadeira globalização: a graça de Deus como elemento transformador da condição humana.
Jovens dominam o cenário no Campus da PUC Por Ana Claudia Braun Endo
Os jovens chegaram à PUC antes do início da Assembléia. Desde suas reuniões iniciais, na pré-Assembléia, demonstraram garra e determinação ante os temas para os quais se preparam, antecipando-se ao que ocorrerá no Campus da PUC.
Vindos de diferentes contextos, com idades entre 18 e 30 anos, reuniram-se em grupos menores para compartilhar experiências e discutir questões relacionadas ao tema do encontro: “Deus, em sua graça, transforma o mundo”.
Vestidos com suas roupas coloridas, falando alto, lotaram o salão em todas as reuniões, mas organizavam-se rapidamente para ouvir, em silêncio, as impressões de cada representante.
Na ousadia das idéias, destacaram afirmações e questionamentos, como: “Você reinventaria o Conselho Mundial de Igrejas e o movimento ecumênico?”, desafiou um dos jovens presentes. “Cristo é o único caminho para Deus e não a religião”, disse outro. “A sexualidade humana é um presente de Deus. É preciso compreender melhor como a Igreja vê a sexualidade”, desafiou um terceiro jovem. Ou ainda: “A tecnologia pode ser um importante meio para se alcançar pessoas que não conhecem a Cristo”, disse outro.
Mas o que arrancou aplausos da jovem platéia foi a fala de dois jovens, em especial. O primeiro deles, boliviano, que bradou em bom castelhano: “Estamos juntos na mesma sala, unindo países pobres e ricos… Precisamos trabalhar juntos, enquanto jovens, em nossas igrejas. Precisamos trabalhar juntos, como Igreja, para erradicar a pobreza”. Outra fala de destaque foi de uma jovem africana, que falou a respeito da juventude que está morrendo em conseqüência do HIV/AIDS: “Em meu País, boa parte da população de 18 a 24 anos está infectada. Muitos estão morrendo e precisamos trabalhar nisso”.
Sempre com a firmeza de quem sabe o preço a pagar em seguir o Evangelho, especialmente em países de minoria cristã ou invadidos pela pobreza, ficou o senso de que “há sempre conseqüências políticas em se seguir o Evangelho”, como disse uma das jovens, mas que a Igreja deve assumir a voz dos excluídos.
A juventude é um dos principais públicos presentes ao encontro. Estará bem representada no Mutirão que tem início amanhã, já que os jovens totalizam 41% dos participantes em todos os tipos de eventos que acontecem ao longo da Assembléia.
Comentários
Oi, Alan. Tudo bem?
Você esqueceu de deixar o link do seu site...
Abs
Postado por: Whaner | abril 7, 2006 06:45 PM
oi meu nome allan e sou do cedocjovem e queria que vc vizitasem
Postado por: cedocjovem | abril 7, 2006 02:09 PM