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Coluna Olho Vivo - Revista Igreja - Edição 1

A responsabilidade de ser Sal e Luz

    Se você está lendo esse texto e, ao seu final, compreendeu o que ele diz, sinta-se um privilegiado, pois o 5º. Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF) do Instituto Paulo Montenegro, ligado ao IBOPE, mostrou que hoje, no Brasil, 74% da população é analfabeta funcional, ou seja não possui domínio pleno das habilidades de leitura, tendo dificuldade em compreender o que lê. 

    Mas, a pesquisa também trouxe alguns dados animadores, ainda mais se pensarmos na Igreja e na sua missão: 1. existe um vínculo grande entre o nível de alfabetização e o ambiente familiar, ou seja, a influência da mãe e do pai e a existência de materiais de leitura nos lares são fatores importantes para um melhor desempenho dentro da pesquisa; 2. 90% das casas possuem a Bíblia ou outro livro religioso; 3. a Bíblia aparece, novamente, em primeiro lugar, como o livro mais lido dentre os alfabetizados, em quase todos os níveis.
     Se assumirmos ainda que o evangélico lê mais que 1,8 livros por ano, que é a média do brasileiro, podemos afirmar que a Igreja tem uma grande responsabilidade para o desenvolvimento do nosso Brasil, ainda mais ao lembrarmos do que afirmou Monteiro Lobato, que “uma nação se faz com homens e livros”.
     Numa sociedade midiática, onde a televisão, o cinema e a internet assumem o papel preponderante de canais de comunicação de massa, o livro e a leitura precisam ser valorizados dentro da Igreja. Um pequeno exemplo: quantos de vocês já leram C.S. Lewis? Talvez muitos nunca ouviram falar dele... Mas agora, com o blockbuster da Disney: As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa esse, que é um dos principais autores cristãos do século XX, passará a fazer parte do dia-a-dia dos evangélicos.
     Será que o que a Igreja tem produzido é relevante, entretém, ou ao menos é de qualidade? Quantos livros, CDs, DVDs, peças de teatro, shows de música, pintura, dança, têm contribuído para a construção de uma sociedade mais justa, desenvolvida e igualitária ou ao menos mais sadia? É claro que existem obras assim, mas, infelizmente ainda não são a maioria...
     Tenho certeza que você conhece algum advogado ou engenheiro cristão de destaque, ou mesmo um jogador de futebol, político ou professor evangélico de reconhecida competência. Mas, quantos artistas cristãos, que atuam ou “militam” no mundo secular você pode citar?
     A Igreja tem de assumir a responsabilidade e o ônus de ser Sal e Luz na sociedade. Responsabilidade de transformar, através das Boas Novas do Evangelho e dos atos de piedade e das obras misericórdias, conforme dizia John Wesley, a sociedade brasileira. Ônus de investir na formação de um público leitor, mais crítico e consciente, mesmo que esse público venha a questionar muito do que tem sido feito na Igreja, com a Igreja e pela Igreja.
     Temos que relembrar da importância dos livros em nossa caminhada. Richard de Bury, bispo de Durham e Chanceler da Inglaterra, no século XIV já nos exortava: “recordem-se, reverendos, de seus antepassados. Dignifiquem-se e consagrem-se aos sagrados livros, sem os quais a religião está condenada a desaparecer e a luz não tem como cumprir sua missão de iluminar o mundo” (Philobiblon – Mui interessante tratado sobre o amor aos livros, escrito em 1344).
     Espero que todos vocês façam parte daqueles 26% da população. A partir da próxima edição, vamos conversar mais sobre o que está sendo produzido, culturalmente, pela Igreja. Grande abraço!

Whaner Endo

Comentários

É verdade, Vania.
Acho que todos temos responsabilidade de tentar, ao menos, colocar o assunto em discussão... A começar pelas nossas igrejas locais.
A Associação de Editores Cristãos está montando um projeto para desenvolver o hábito de leitura nas Igrejas. Assim que tiver mais informações, posto algo aqui, ok?
Um abraço.

Sem Dúvidas, é muito importante termos pessoas, veiculos de comunicação para tratarmos de assuntos como o da matéria, que raramente em nossas igrejas são tratadas ou sequer citadas, para que todos possam refletir.
Fico feliz por ter um veículo de comunicação fazendo isso e muito bem por sinal.
Parabens Whaner e toda a Equipe da Revista.

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